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FEMINISMO



DATA: 08/03/2021 - O Dia 08 de Março é marcado como Dia Internacional da Mulher, por conta da data vamos conhecer o movimento Feminista, trata-se de um movimento social surgido após a Revolução Francesa e que ganhou força primeiro na Inglaterra (no Século XIX) e depois nos Estados Unidos (no século XX). O movimento luta pela igualdade de condições entre homens e mulheres, ou seja, para que ambos os sexos (gêneros) tenham os mesmos direitos e os mesmas oportunidades, possibilidades.


MACHISMO

Antes de tratarmos do Feminismo, vamos estabelecer aqui que o Machismo não é o oposto do Feminismos. O Machismo defende a superioridade do gênero masculino sobre o feminino, o que acaba justificando atos de preconceito, agressão e opressão contra as mulheres. O pensamento machismo não é exclusivo dos homens, mulheres acabam corroborando com seus ideais. São opostos no sentido de que o Machismo promove desigualdade enquanto o objetivo do Feminismo é promover igualdade.


RAÍZES DO FEMINISMO

Destacam-se alguns momentos históricos e figuras que, antes do estabelecimento do termo Feminismo, tiveram importância para o movimento:

Grécia Antiga - Platão em seu livro "A República", defendia que num estado ideal as mulheres trabalhariam ao lado dos homens, tendo a mesma educação e igualdade em todos os aspectos do estado grego, a única exceção para ele, seria a natureza do trabalho, que não deveria exigir força física.

Oriente Médio - Durante a Idade Média, com as reformas religiosas Islâmicas, foram concedidos as mulheres muçulmanas direitos, que em muitas culturas ocidentais, só vieram a serem adquiridos séculos mais tardes, como por exemplo, oportunidade de educação, trabalho assalariado, direito a propriedade, casamento, divórcio e herança.

Mulher lendo o Alcorão (Osman Hamdi Bey-1880)

Revolta Camponesa de 1381 - Movimento, na Inglaterra, contra a servidão medieval, motivado pelas tensões socioeconômicas e políticas surgidas com a Peste Negra (1340), os altos impostos para custear a Guerra dos Cem Anos contra a França e a própria fragilidade do governo central em Londres. Muitas mulheres participaram dos levantes e algumas em posição de liderança, isto por que a carga tributária foi muito maior sobre as mulheres.

Renascimento Europeu - Apesar da onda de iluminação e razão que tomou a Europa, entre os séculos XIV e XVI, as mulheres continuavam, em sua grande maioria, excluídas dos ambientes educacionais, os quais estavam abertos apenas as mulheres aristocratas, as quais a boa educação servia para agradarem seu maridos, perpetuavam-se os papéis aos quais as mulheres estavam destinadas, mães e esposas.

Destaque para a figura da italiana, Cristina de Pisano, que na virada do século XV foi autora dos livros "O Livro da Cidade das Damas" e "Epístola ao Deus do Amor", sendo considera a primeira mulher a escrever sobre as relações entre os sexos e a denunciar a misoginia (preconceito com o sexo feminino).

Séculos XVII e XVIII - No século XVII, na Inglaterra e na França, diversos movimentos religiosos que propunham um igualitarismo religioso acabaram transbordando para propostas de igualitarismo de gêneros. Os ideais plantados pelo Renascimento dão frutos e pensadores do século XVIII começam a defender os direitos das mulheres, temos a ascensão, principalmente na França e na Inglaterra, das primeiras autoras mulheres.

Mary Wollstonecraft (1759-1797)

Destaque para a figura de Mary Wollstonecraft, inglesa, considerada a fundadora do feminismo filosófico, escreveu "Uma Reivindicação pelos Direitos da Mulher" (1792), onde dizia que as mulheres não eram, por natureza, inferiores aos homens, mas apenas aparentavam ser, naquela época, por falta de educação e escolaridade, considerava que tanto mulheres quanto homens eram responsáveis pela desigualdade de gênero e ambos necessitavam de uma reeducação que pudesse refletir em atitudes sociais;

Revolução Francesa - Das diversas revoluções liberais que atingiram a Europa após esta ser tomada pelo ideias Iluministas, temos como a maior de todas, a Revolução Francesa. Atenção para a participação nos anos iniciais da revolucionária francesa, Olímpia de Gouges, que escreveu a “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã” em oposição a “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, no qual criticava a perpetuação da desigualdade de gêneros pelos seus companheiros revolucionários, defendendo a participação política das mulheres. No período de Terror da Revolução acabou sendo guilhotinada, como tantos outros, porém sua morte se tornou um marco da luta feminista.

Olímpia de Gouges (1748-1793)

PRIMEIRA ONDA FEMINISTA

Período compreendido entre o século XIX e início do século XX, no Reino Unido e nos Estados Unidos, focado na busca por igualdade de gêneros dentro do Direito Contratual, igualdade de condições de trabalho como salários e carga horária, e de Propriedade, se apondo a tradição dos casamentos arranjados e ao direito a propriedade das mulheres casadas, uma vez que suas posses ou eram de seus maridos ou de seus filhos homens.

No fim de do século XIX, há uma mudança de foco, o movimento passa a buscar igualdades política, em especialmente o direito ao voto para as mulheres, o sufrágio feminino.

Passeata Sufragista Feminista em Nova York (1912)

SEGUNDA ONDA FEMINISTA

O feminismo ganha força na Europa continental na luta por direitos fundamentais, visando reformas das leis de família, que davam aos maridos controle sobre suas esposas. Gradativamente alcançando locais como a América Latina, Oriente Médio (feminismo islâmico) e extremo Oriente (plena igualdade dos gêneros na Revolução Comunista Chinesa).

Em meados do século XX, impulsionado pelos movimentos de contracultura, o foco das reinvindicação não esta apenas em questões políticas, mas também em questões de desigualdades sociais e culturais, entendendo todos os aspectos das vidas pessoais das mulheres como atos políticos e como reflexos das estruturas que discriminam os sexos. Surgem questões como liberdade sexual, aborto e criminalização da violação conjugal (estupro de mulheres casadas por seus maridos), questões que focam na mulher como dona de seu próprio corpo.

Simone de Beauvoir (1908-1986)

Destaque para a figura da filósofa francesa, Simone de Beauvoir, autora de "O Segundo Sexo" (1949), que mostrava detalhadamente a opressão das mulheres e se tornou a pedra fundamental do feminismo contemporâneo,

TERCEIRA ONDA FEMINISTA

Iniciada no final do século XX e início do século XXI, o foco esta em corrigir as falhas nascidas na 2ª onda, o objetivo agora é desafiar e redefinir o conceito de feminilidade, e produzir cortes sociais, uma vez que a luta anteriormente estava muito centralizada na experiência de mulheres brancas e de classe média alta. Destaque para diversas Feministas Negras, que vão dar visibilidade as subjetividades femininas relacionadas à raça.

Anita Hill depondo no processo de assédio sexual contra Clarence Thomas

A 3ª onda do feminismo também é conhecida pelos debates internos ao feminismos, como por exemplo o embate entre o feminismo da diferença, que defende que há importantes diferenças fundamentais entre os sexos, e demais vertentes, que defendem não haver diferenças essenciais entre homens e mulheres, que na verdade estas surgem através dos papéis que lhes são atribuídos socialmente.


QUARTA ONDA FEMINISTA

Alguns estudiosos dizem estarmos, desde 2010, vivendo a 4ª onda feminista, caracterizada pela crescente luta de mulheres jovens dentro dos ambientes virtuais, sites, blogs e redes sociais, discutindo assuntos como representatividade e violência sexual.

Conheça alguns termos que vêm sendo utilizados com frequência no cenário da 4ª onda:


SORORIDADE

Do latim "soror" (irmã), ato de estimular o apoio entre mulheres.


OBJETIFICAÇÃO

Quando uma pessoa é relegada a posição de coisa, no caso das mulheres, quando se tornam apenas um objeto sexual, limitadas aos seus atributos físicos.



RELACIONAMENTO ABUSIVO

Quando dentro de uma relação (amorosa, de trabalho, de amizade,...) há qualquer tipo de abuso (físico ou psicológico).


PATRIARCADO

Estrutura sociopolítico na qual o masculino e a heterossexualidade detêm a hegemonia e o poder.



EMPODERAMENTO

Ato de dotar de poder o indivíduo para que este resgate sua dignidade e importância, no caso feminista, a mulher.



BROPRIATING

Termo do inglês, “bro” ("brother" = irmão + “appropriating”, apropriação), quando um homem toma para si uma ideia que é de uma mulher;


GASLIGHTING

Quando um homem convence uma mulher de que ela não está com a razão, muito comum em relações abusivas.



MANSPLAINING

Termo do inglês, “man” (homem) + “explaining” (“explicando”), quando um homem explica algo a uma mulher sem ser solicitado.



MANSPREADING

Termo do inglês, “man” (homem) + “spreading” (“espalhando”), quando um homem ocupa um espaço exageradamente maior que o necessário.



MANTERRUPTING

Termo que vem do inglês, “man” (homem) + “interrupting” (“interrompendo”), quando um homem interrompe a fala de uma mulher.



LUTAS ATUAIS DO FEMINISMO

Tem se o consenso de que o feminismo é cheio de recortes, há a luta da mulher negra, da mulher pobre, da mulher transexual,... , e que assim, o foco das reinvindicações está em constante alteração, e de que ainda há muito o que se alcançar, uma vez que, a desigualdade de gênero é estrutural e milenar, e está presente em todas as esferas da vida, pública e privada.

Educação e Responsabilidade Financeira

Apesar das mulheres estudarem mais que os homens e estarem ganhando espaço como chefes de famílias, o Mercado de Trabalho ainda impõem desigualdades as mulheres: são a maior parte entre os trabalhadores domésticos, há poucas delas ocupando posições de gerência, a média salarial das mulheres continua menor que a dos homens (mesmo no desempenho das mesmas funções). Os que controlam o mercado de trabalho justificam estas diferenças por conta da maternidade.

Renda e Cargo de Gerência
Trabalho Formal e Informal

A participação na Vida Política ainda também é muito desigual, apesar da imensa maioria das nações democráticas já contarem com o voto feminino, majoritariamente os cargos eletivos são ocupados por homens, portanto não há de fato uma representação dos interesses femininos nas ações governamentais, ou seja, na maior parte dos governos temos homens decidindo a favor de homens.

Participação Política

A Violência contra as mulheres está presente em todos os ambientes, dos públicos aos privados, nas mais diversas formas de assédios e agressões. O Feminicídio é um grande desafio para os governos do mundo, e apesar dos avanços dos direitos femininos, vem crescendo de forma alarmante. O feminicídio é definido como um crime de ódio baseado no gênero, ou seja, ele é motivado pelo preconceito com o sexo feminino e culmina no assassinato de mulheres, em especial dentro do contexto de violência doméstica.

Violécia contra Mulher no Brasil
Ranking Feminicídio

FONTES:

• <https://pt.wikipedia.org/wiki/Feminismo> acesso em 01.mar.2021;

• <https://www.ibge.gov.br/apps/snig/v1/> acesso em 02.mar.2021;

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